sem gluten

Autismo: tratamento com dieta

O tratamento do autismo – uma síndrome complexa que prejudica a capacidade de comunicação e interação social dos portadores – frequentemente consiste de uma série abrangente de programas educacionais, terapias e tratamentos comportamentais. Várias intervenções nutricionais também tem sido sugeridas, como a restrição de alguns alérgenos alimentares, o uso de probióticos e de suplementos nutricionais. Uma das intervenções atualmente mais populares, no entanto, é a dieta sem glúten e sem caseína (dieta SGSC) a qual, como o próprio nome diz, elimina todas as fontes de glúten (presente no trigo, cevada, centeio e aveia) e caseína (presente no leite e derivados) da alimentação.Um artigo recentemente publicado na revista Nutrition and Clinical Practice, pela Dra. Jenniger Elder, faz uma revisão do status médico e científico da dieta, e traz recomendações para que as famílias dos portadores e profissionais de saúde possam decidir pela adoção – ou não – da dieta.

- Em um estudo conduzido em 2003, o qual envolveu 50 crianças com autismo, revelou (através de análises sanguíneas) que um número significativo destas crianças tinham anticorpos contra o glúten (gliadina) e a caseína (ou seja, havia uma reação auto-imune na presença destas substâncias)
- Em outro estudo envolvendo 20 participantes, demonstrou-se que embora mudanças tenham sido observadas nos dois grupos, o grupo de crianças autistas que adotou a dieta SGSC apresentou melhorias significativas no comportamento, cognição não verbal e coordenação motora em relação ao grupo de crianças que adotaram uma dieta padrão (com gluten e caseína).
- Finalmente, um estudo publicado no Journal of Autism and Related Disorders envolvendo 13 crianças e controles mais rigorosos analisou os efeitos da adoção da dieta por 12 semanas. Este estudo mostrou que, embora tenham sido observadas melhoras pontuais na linguagem e comportamento, não houveram diferenças significativas quando se comparam os sintomas do grupo de crianças seguindo – ou não – a dieta.

É interessante notar, no entanto, que 7 das 13 famílias que participaram do estudo (e adotaram a dieta SGSC) notaram melhorias nos sintomas, diminuição da hiperatividade, melhoria na linguagem e menor frequencia de comportamentos repetitivos (as quais, por seu caráter mais subjetivo, não foram consideradas pelos pesquisadores na análise dos resultados). Os autores reconhecem que um período mais longo do que 12 semanas possa ser necessário para que as melhorias se tornem mais aparentes.

  • O glúten e a caseína contém proteínas que ao serem digeridas tranformam-se em compostos opiáceos com poder de gerar uma certa dependência. Estes compostos são as gluteomorfinas e caseomorfinas.
  • Alguns indivíduos autistas (20%) apresentam sintomas gastrintestinais como diarréias frequentes. O intestino destes indivíduos também costuma ser mais permeável causando uma absorção dos compostos opiáceos. Quando os indivíduos apresentam esta absorção exagerada a quantidade de compostos opiáceos na urina é bastante aumentada.
  • Tais compostos atingem o cérebro causando estados mentais compatíveis com intoxicação por drogas opiácias, como a morfina, a codeína e a heroína. Estudos mostram que camundongos que receberam doses elevadas de caseomorfinas tiveram áreas do cérebro alteradas. Porém não tenho conhecimento de nenhum estudo que comprove que caseomorfinas e gluteomorfinas possam causar sintomas do autismo em seres humanos.
  • Mesmo assim, alguns estudos mostram que quando a caseína e o glúten são removidos da dieta os indivíduos não mais sentem os efeitos dos compostos opiáceos e seu comportamento melhora significativamente. Outros estudos não mostram nenhuma relação entre dieta e autismo.
  • Pesquisas controladas estão sendo realizadas no momento e devem estar disponíveis até o próximo ano.

Fonte: http://www.vidasemglutenealergias.com

4 Responses to “Tratamento do Autismo com Dieta sem glúten e sem caseína”

  1. O Primitivo disse:

    O download de artigos Autismo com Dieta sem glúten e sem caseína no seu blogue não está funcionando. Poderia corrigir as ligações? Obrigado.

  2. Maria disse:

    Bom dia.
    Sou mãe de um menino com SA. Está quase a fazer 10 anos. Desde os 5/6 anos que tem o diagnóstico confirmado de SA e desde os 6/7 que tem andado a fazer a dieta leite/gluten.
    Posso afirmar que desde que foi iniciada a dieta (iniciada por minha conta e risco após consultar outros pais na internet sobre a adopção deste regime alimentar – não realizei análises limitei-me a experimentar) foi como eu tivesse desligado um interruptor ao rapaz – deixou de tomar antiestamiticos, deixou de vomitar compulsivamente, deixou de ressonar durante a noite, passou a dizer que estava cansado e queria dormir, está mais calmo, mais presente, mais ligado à “realidade”…
    Digamos que a minha maior dificuldade é obter alimentos completamente isentos de gluten, dado que, qualquer alimento hoje em dia tem no rótulo “vestígios de gluten”,…, vou a lojas que vendem produtos alimentares sem gluten mas por vezes temos que estar com atenção porque podem ter proteína do leite.
    No caso do meu filho este regime alimentar resultou, sei que noutras crianças a eficácia é nula ou ténue – mas atenção podem ser alérgicos a outros alimentos… pela minha experiência, quanto mais natural for a alimentação melhor – porque (agora vai uma teoria da minha pessoa) a bateria de vacinas que foram adiministradas aos progenitores e depois aos bébés colocaram o sistema imunelógico de tal forma confuso e débil que acaba por reagir em excesso a “invasores” com ADN semelhante ao virus alterado que é injectado no nosso sistema via as vacinas, ou então, já não identifica nada e deixa passar, em vez de as eliminar, as toxinas para o organismo acabando por este ficar debilitado/anómalo.
    Muito obrigado pelo vosso site, continuem…

  3. jaqueline disse:

    É muito importante esta troca de experiências e fico feliz que meu blog esteja sendo bastante visitado tbm em Portugal. Aqui conheço diversos lugares ondem vendem alimentos específicos sem gluten e sem leite mas é importante fazer uma bioquímica para identificar outros possíveis alimentos alergênicos pois cada caso é um caso. O ideal é fazer o IgG. Minha filha por exemplo não tem intolerêancia ao glúten embora eu siga a dieta sem ele pois se em alguns casos tem efeito opióceo mas minha filha tem intolerância ao leite, tanto a lactose quanto à caseina, soja, feijão, amendoim, entre outros portanto um teste ajuda muito no tratamento.
    Beijos e obrigada pela visita,
    Jaqueline

  4. jaqueline disse:

    É muito importante saber que as informações podem estar ajudando outras pessoas.
    Você dise que decidiu tudo por conta própria e entrou com a dieta no seu filho… o caminho é esse. É uma pena que nem todas as pessoas acreditem. Pode não funcionar com todos mas acho que vale a pena tentar, pois com outros a resposta é maravilhosa como obteve o seu filho. Essa vacinas combinadas, polivalente na minha opinião, acabam “enlouquecendo” o sistema imune e acho que tem peso significativo no aumento de casos de autismo. Aqui no Brasil, vem crescendo o número de lojas especializadas em dietas sem glúten e leite mas ainda não é suficiente e os produtos ainda são muito caros.
    Um abraço,
    Jaqeline

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