Terapia da Fala e o Autismo

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Os problemas de comunicação das crianças autistas podem ter uma grande variação e podem depender do desenvolvimento social e intelectual do indivíduo. Alguns podem ser completamente incapazes de falar enquanto outros tem um vocabulário bem desenvolvido e podem falar sobre uma série de tópicos do seu interesse. Qualquer programa terapêutico deve começar pelo ponto em que as habilidades linguísticas da criança se encontra.

Embora algumas crianças autistas tenham pouco ou nenhum problema com a pronúncia das palavras, a maioria tem efetivamente dificuldades em utilizar a linguagem. Até aquelas crianças que não tem problemas em articular as palavras, exibem dificuldades no uso da linguagem pragmática como saber o que dizer, como dizer e quando dizer tanto quanto interagir socialmente com as pessoas. Muitos que falam, dizem coisas sem contexto ou informação. Outros repetem o que ouviram (ecolalia) ou discursos que memorizaram em algum momento. Algumas crianças autistas falam cantando ou usando uma voz mecânica como se fossem robôs.

Terapia da Fala ou Fonoaudiologia

A Terapia da Fala é a ciência que tem como objeto de estudo a comunicação humana, no que se refere ao seu desenvolvimento, aperfeiçoamento, distúrbios e diferenças, em relação aos aspectos envolvidos na função auditiva periférica e central, na função vestibular, na função cognitiva, na linguagem oral e escrita, na fala, na fluência, na voz, nas funções orais/faciais e na deglutição.

A intervenção precoce e continuada do terapeuta da fala nos Distúrbios do Desenvolvimento, é fundamental para que o quadro clínico apresentado pelos indivíduos portadores do Transtorno Autista evolua satisfatoriamente, no que tange à sua comunicação geral, e em especial, para o desenvolvimento de sua linguagem receptiva e expressiva, oral, gestual e escrita, capacitando–o para compreender, realizar demandas e agir sobre o ambiente que cerca.
Entretanto, o profissional deve ser um profundo conhecedor do desenvolvimento normal infantil/juvenil e do desenvolvimento atípico do portador de autismo. Também deve ser capaz de diagnosticar, avaliar (porque é possível avaliar os autistas, sim, mesmo os não-verbais!), e planear uma terapia individualizada e específica. Deve ser um profissional atualizado e consonante com a comunidade científica internacional, e nunca se deixar levar por novidades e idéias que não têm o menor valor científico (como as dos anos 60: mães geladeira, e dos anos 70: autismo = psicose!!!).

A terapia da fala poderá ter como base, o programa TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Communication handicapped Children), desenvolvido pelo departamento TEACCH da Universidade da Carolina do Norte, USA. Também poderá utilizar o recurso PECS (Picture Exchange Communication System), o ABA (Applied Behavior Analysis), e as técnicas de intervenção de Lovaas, sempre com vista ao treino e desenvolvimento da linguagem e da comunicação.

Embora nenhum tratamento seja efetivo em normalizar a fala, os melhores resultados são conseguidos com o início da terapia na idade pré-escolar e que envolve a família junto com os profissionais. O mérito é conseguir que a criança utilize a comunicação funcional, ou seja, que a criança se faça entendida. Para uns a comunicação verbal é possível e alcançável. Para outros, a comunicação por gestos ou por utilização de símbolos ou figuras já é de grande valia. Avaliações periódicas devem ser feitas para encontrar as melhores abordagens e restabelecer as metas de cada criança.

O que nos pede um Asperger?

autismo- sindrome de asperger

  1. Ajuda-me a compreender. Organiza meu mundo e ajuda-me a prever o que vai acontecer. Dá-me ordem, estrutura e não caos.
  2. Não fique angustiado, pois isto também me angustia. Respeita meu ritmo. Se compreenderes minhas necessidades e meu modo especial de ver a realidade, não terás dificuldades de te relacionares comigo. Não te deprimas; o normal é eu progredir e me desenvolver cada vez mais.
  3. Não fales muito, nem depressa demais. Para ti as palavras voam como plumas, não pesam, mas para mim podem ser uma carga pesada. Muitas vezes é esta a melhor maneira de te relacionares comigo.
  4. Como todo ser humano, sinto necessidade de compartilhar o prazer e gosto de fazer bem as coisas, embora nem sempre consiga.
  5. Preciso de mais ordem do que tu, e mais do que tu, preciso prever as coisas do meu meio. Precisamos negociar meus rituais de convivência.
  6. Para mim é difícil compreender o sentido de muitas coisas que me pedem para fazer. Ajude-me a compreender. Procura pedir-me coisas que tenham sentido completo e decifrável para mim. Não deixe que eu me embruteça e fique inativo.
  7. Te envolvas comigo, embora eu tenha reações de irritação.
  8. O que eu faço não é contra ti. Quando fico irritado ou me firo; quando quebro alguma coisa ou me agito demais; quando tenho dificuldade de fazer o que me pedes, não estou querendo te aborrecer. Porque tenho um problema de intenções. Não me atribua más intenções!!
  9. Meu desenvolvimento não é irracional, embora não seja fácil de entender. Tem sua própria lógica, e muitas das condutas que chamas de “alteradas” são formas de enfrentar o mundo com minha forma especial de ser e perceber. Faze um esforço para me compreenderes.
  10. As outras pessoas são muito complicadas. Meu mundo não é complexo nem fechado, é um mundo simples. Embora possa parecer estranho o que eu te digo, meu mundo é aberto, tão sem embustes e mentiras, tão ingenuamente exposto aos outros que é difícil penetrar nele. Não vivo numa “fortaleza vazia”, mas numa planície tão aberta que pode parecer inacessível. Sou muito menos complicado do que as pessoas que considera normais.
  11. Não sou apenas um ser com dificuldades. Sou também uma criança, um adolescente ou um adulto. Partilho muitas coisas das crianças, dos adolescentes que chamas de “normais”. Gosto de brincar e me divertir, gosto dos meus pais e das pessoas que me cercam; fico contente quando faço bem as coisas. Na minha vida há mais o que compartilhar do que separar.
  12. Vale a pena viver comigo. Posso te proporcionar tanta satisfação como as demais pessoas. Pode acontecer em momento em tua vida em que eu possa ser a sua maior e melhor companhia.
  13. Não me agrida quimicamente. Se te disserem que preciso tomar medicamentos, providencie o acompanhamento periódico por um especialista.
  14. Nem meus pais nem temos culpa do que se passa comigo. Tão pouco são culpados os profissionais que me ajudam. Não adianta culpar uns aos outros. Às vezes minhas reações e condutas podem ser difíceis de entender e suportar, mas não é por culpa de ninguém. A idéia de “culpar” não faz mais do que produzir sofrimento com relação ao meu problema.
  15. Não me peças constantemente coisas que estão fora de meu alcance, de minha possibilidade. Pede-me, porém as que sou capaz de fazer. Ajude-me a ter mais autonomia para compreender melhor, comunicar-me melhor, mas não me ajude demais.
  16. Não precisa mudar completamente sua vida pelo fato de viver com uma pessoa como eu. A mim nada aproveita o estares mal, que te feches e que te deprimas. Preciso de estabilidade e de bem-estar emocional em torno de mim para me sentir melhor. Não pense tão pouco que eu tenha culpa do que se passa comigo.
  17. Ajude-me com naturalidade, sem tornar essa ajuda uma obsessão. Para me ajudar, precisas ter teus momentos de repouso ou de te dedicares a tuas próprias atividades. Fica perto de mim, não te vás, mas não te sinta sob o peso de uma carga insuportável. Na minha vida tem havido momentos difíceis, mas posso estar cada vez melhor.
  18. Aceita-me como sou. Não condicione tua aceitação a que eu deixe de ser como sou. Sê otimista sem te tornares “romântico”. Minha situação em geral tende a melhorar.
  19. Embora seja difícil comunicar-me ou compreender as sutilezas sociais, na realidade, tenho algumas vantagens na comparação com os que te chamas de “normais”. Tenho dificuldade em me comunicar, mas não costumo enganar. Minha vida poderá ser satisfatória se for simples, ordenada e tranqüila, desde que não me façam constantes exigências, mudanças e só me peçam as coisas mais difíceis para mim. Ser especial é um modo de ser, embora não seja o comum. Minha vida pode ser tão feliz e satisfatória como a tua vida “normal”. Nessas vidas podemos vir a nos encontrar e a partilhar muitas experiências.

Angel Riviere Gómez, Psiquiatra – Acessor Técnico de APNA – Madrid – Espanha

olhardeverdadeO trabalho de Ehlers & Gillberg , realizado nas escolas de 1 o grau de uma cidade com predominância de classe média, revelou taxa de 0,36% da população em geral na proporção de 4 homens para 1 mulher. Importante perguntas inadequadas as pessoas não conhecidas; histórico familiar de quadros similares, usualmente na linhagem masculina. ao exame: andar desajeitado; postura bizarra de braços e mãos; pouco olhar para o interlocutor; mímica facial e corporal pobre e dissociada da conversa; afetividade superficial; afetividade plana (um paciente referia que nada o irritava e que nada o incomodava, outro foi encaminhado para avaliação porque não demonstrou reação ao falecimento da mãe);voz com pouca ou sem modulação (robotizada); fala rebuscada sem a compreensão devida dos termos; persistência no assunto de seu interesse; dificuldade de compreender piadas; compreensão superficial de significados abstratos (p.ex: diferença entre colega e amigo); dificuldade de compreensão do significado de frase quando o diferencial é o tom da voz; ruminações e preocupações ilógicas, para os não afetados; percepção de que é diferente dos colegas e irmãos (a partir da pré-adolescência); conhecimento desproporcional em algum assunto – interesse específico (que pode variar com o tempo); pedantismo ( pelo dicionário Aurélio: “aquele que ostenta erudição que não possui, de forma afetada, livresca, rebuscada”); sintomas obsessivos (que inclusive o incomodam); humor deprimido; memória muito boa, as vezes fotográfica; dificuldade na narrativa de fatos vividos, etc. escalas: iniciar com os itens da CID-10, se o quadro for de grau leve ou houver dúvidas no 1 º passo, fazer o CARS. Descartado o AI proceder ao ASSQN. Para uma melhor qualidade realizar o ADI-R.